Falaa meus queridos, tudo certo?!
Existe uma versão do Chile que não aparece nas fotos do Instagram nem nos roteiros de turismo, e ela está no prato. Santiago tem uma cozinha que mistura influência indígena, espanhola e uma criatividade popular que transformou ingredientes simples em pratos que os chilenos comem há gerações e são completamente apaixonados.
Pensando nisso, e em te auxiliar na experiência de conhecer o melhor do país pela sua gastronomia, separamos cinco pratos que são presença constante na vida dos santiaguinos, com a história de cada um, quanto você vai pagar e onde encontrar sem precisar garimpar muito. Vamos lá!
1. Lomo a lo Pobre
O Lomo a lo Pobre é o prato mais popular da lista e o que mais facilmente agrada o paladar brasileiro, porque no fundo é uma versão chilena do nosso bife à cavalo com batata frita. Um corte generoso de boi grelhado, dois ovos fritos com gema mole e uma montanha de cebola caramelizada chegam juntos no prato numa combinação simples, mas deliciosa.
Seu nome vem do século XIX, quando o prato era considerado comida de trabalhador, farta e barata, feita para repor energia depois de um dia longo, e você encontra em praticamente qualquer restaurante de comida tradicional de Santiago, como o Galindo, no Dardignac 098 em Bellavista. Os preços giram em torno de CLP 9.000 a CLP 13.000 dependendo do restaurante.

2. Cazuela
A Cazuela é o que os chilenos chamam de comida de avó, aquele caldo encorpado que chega fervendo na mesa e que reconforta de um jeito que nenhum prato sofisticado consegue replicar. Leva um pedaço grande de carne de boi ou frango, batata inteira, pedaço de abóbora, espiga de milho e arroz ou massa cozidos juntos num caldo que vai ficando mais saboroso a cada colherada.
É um prato que existe há séculos na culinária chilena e que carrega influências dos povos originários Mapuche na forma de usar os ingredientes da terra sem desperdiçar nada. Você também o encontra em praticamente todo restaurante de comida tradicional de Santiago, mas no Mercado La Vega, na Av. Recoleta 1606, as cozinhas populares servem a verdadeira cazuela por menos de CLP 5.000.

3. Empanada
A empanada chilena é uma categoria à parte dentro do universo das empanadas latino-americanas, e quem acha que já conhece o prato vai se surpreender com a versão do país. A mais tradicional é a de pino, recheada com carne moída temperada, cebola, ovo cozido, azeitona e passa numa combinação que parece estranha na teoria mas funciona muito bem na prática.
A história do prato no Chile remonta à colonização espanhola, mas os chilenos adaptaram a receita com ingredientes locais e transformaram a empanada num símbolo gastronômico tão forte que existe até um dia nacional dedicado a ela, celebrado em setembro junto com as festas pátrias. Você encontra em praticamente qualquer padaria, mercado e restaurante de Santiago, mas o El Hoyo, na San Vicente 375, é um dos lugares tradicionais para comer empanadas de verdade, com preços entre CLP 2.500 e CLP 4.000 a unidade.

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4. Caldillo de Congrio
O Caldillo de Congrio é o prato mais literário do Chile, e não é exagero dizer isso. Pablo Neruda, o maior poeta do país e Prêmio Nobel de Literatura, escreveu uma ode inteira dedicada a esse caldo, que ele considerava a melhor coisa que o mar chileno tinha para oferecer.
O congrio é um peixe típico da costa do Pacífico, de carne firme e sabor marcante, que vai para dentro de um caldo grosso com batata, cebola, tomate, coentro e especiarias que chegam juntos numa tigela que é quase impossível de parar de comer. O Mercado Central, localizado na Rua San Pablo 967, é o lugar mais famoso para provar o caldillo em Santiago, com restaurantes servindo o prato entre CLP 12.000 e CLP 18.000.

5. Mote con Huesillo
O Mote con Huesillo é tecnicamente uma bebida, mas os chilenos tratam como sobremesa e depois de tomar você entende completamente o motivo. Trigo cozido no fundo do copo, pêssego seco reidratado em calda levemente adocicada e um líquido perfumado e gelado que refresca e alimenta ao mesmo tempo é a combinação mais improvável e mais gostosa que Santiago oferece nas ruas.
O prato tem raízes nos povos originários do Chile e no período colonial, quando o mote, que é o trigo descascado, era alimento básico da população, e a combinação com o huésillo, que é o pêssego seco, criou uma tradição que persiste até hoje. Você encontra em vendas ambulantes e carretas espalhadas por toda Santiago, especialmente na Plaza de Armas e nos arredores do Mercado Central, por preços entre CLP 1.500 e CLP 2.500 o copo.

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